Como é feita a cirurgia torácica: etapas e recuperação

Postado em: 09/01/2026

Atualizado em 7 de outubro de 2026. Por Dr. Caio Augusto Sterse da Mata · MÉDICO · CRM-SP 124.698 · RQE 123726 (Cirurgia Torácica)

Em resumo

A cirurgia torácica é feita sob anestesia geral e pode seguir duas vias de acesso: a cirurgia aberta, por toracotomia, ou a videocirurgia, com pequenas incisões e uma câmera. A escolha depende da doença, das condições de cada pessoa e da avaliação do cirurgião, e o processo inclui preparo, procedimento e recuperação acompanhados pela equipe médica.

Neste artigo

Quando alguém recebe a indicação de uma cirurgia torácica, é natural que surjam dúvidas: como o procedimento é realizado, se o tórax precisa ser aberto, quanto tempo leva e como é a recuperação. Entender como é feita a cirurgia torácica ajuda a reduzir a ansiedade e a tomar decisões mais informadas ao longo do tratamento.

Neste artigo, explico as etapas do processo, os principais tipos de procedimento e o que esperar antes, durante e depois da cirurgia.

O que é cirurgia torácica e quando ela pode ser indicada?

A cirurgia torácica é a especialidade médica dedicada ao tratamento cirúrgico de doenças que afetam os pulmões, a pleura (membrana que reveste os pulmões), o mediastino (região central do tórax), a parede torácica, a traqueia, os brônquios e o simpático torácico.

A indicação cirúrgica pode surgir em diferentes contextos: em um exame de rotina que identifica um nódulo pulmonar, depois do diagnóstico de uma doença ou em situações que exigem confirmação por biópsia.

Cada caso é avaliado individualmente. A decisão de operar e a técnica a utilizar levam em conta o tipo e o estágio da doença, a função pulmonar e as condições clínicas gerais.

A cirurgia torácica é sempre para câncer?

Não. A cirurgia torácica trata condições malignas e benignas, e o câncer de pulmão é uma das indicações, mas não a única. Entre as situações que podem levar à indicação cirúrgica estão:

  • Doenças pulmonares: nódulos pulmonares suspeitos, câncer de pulmão, enfisema em casos selecionados e lesões que precisam de biópsia para diagnóstico;
  • Doenças pleurais: pneumotórax (acúmulo de ar entre os pulmões e a parede torácica) e derrame pleural (acúmulo de líquido na pleura);
  • Doenças do mediastino: tumores na região central do tórax, como os do timo;
  • Hiperidrose: suor excessivo nas mãos, nas axilas ou nos pés, tratado em casos selecionados pela simpatectomia, que interrompe o sinal nervoso responsável pelo suor;
  • Infecções torácicas graves: como o empiema pleural (acúmulo de pus na pleura);
  • Deformidades da parede torácica: como o pectus, alteração no crescimento das cartilagens das costelas.

Em todas elas, a indicação se baseia em avaliação criteriosa e individual.

Como é feita a cirurgia torácica na prática?

De modo geral, toda cirurgia torácica envolve anestesia geral, posicionamento da pessoa na mesa cirúrgica, acesso à cavidade torácica, realização do procedimento específico e fechamento da incisão. O que varia, principalmente, é a forma de acesso ao tórax.

A cirurgia torácica sempre exige abrir o tórax?

A cirurgia torácica nem sempre exige abrir o tórax. A escolha entre toracotomia e videocirurgia depende da doença, do tamanho e da localização da lesão e das condições clínicas de cada pessoa, e é definida pelo cirurgião após a avaliação. A cirurgia aberta fica para quando a via por videocirurgia não está indicada ou não é viável.

Essa diferença segue a descrição da MedlinePlus, biblioteca de saúde da Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos, que explica que, na cirurgia aberta, o cirurgião faz um corte entre duas costelas e, na videotoracoscopia, faz vários cortes pequenos na parede do tórax, por onde passa um tubo com uma câmera. A mesma fonte afirma que a videotoracoscopia leva a menos dor e a uma recuperação mais rápida do que a cirurgia pulmonar aberta.

Cirurgia aberta (toracotomia)

Na toracotomia, o cirurgião faz uma incisão maior na parede torácica para acessar diretamente os órgãos da cavidade. Esse acesso é necessário em casos mais complexos, como tumores extensos, situações que exigem ampla exposição cirúrgica ou quando a abordagem minimamente invasiva não é tecnicamente viável.

Videocirurgia torácica (minimamente invasiva)

A videocirurgia torácica, também chamada de videotoracoscopia, usa pequenas incisões na parede do tórax, por onde entram uma câmera de vídeo e instrumentos cirúrgicos específicos. O cirurgião vê o interior do tórax em tempo real, em um monitor, e realiza o procedimento a partir dessa imagem.

Essa via é usada em uma ampla gama de procedimentos, como ressecções pulmonares, tratamento do pneumotórax, biópsia de estruturas torácicas e simpatectomia para hiperidrose, conforme a indicação de cada caso.

Quais são as etapas antes, durante e depois da cirurgia?

Conhecer o processo completo ajuda a se preparar melhor e a ter expectativas realistas sobre cada fase.

Antes da cirurgia (pré-operatório): inclui avaliação médica detalhada, com revisão do histórico clínico, exames de imagem, exames laboratoriais e avaliação da função pulmonar e cardíaca. Em alguns casos, é preciso suspender determinados medicamentos, respeitar o jejum indicado pela equipe e interromper o tabagismo com antecedência.

Durante a cirurgia (intraoperatório): a pessoa recebe anestesia geral e é monitorada continuamente pela equipe de anestesiologia. O cirurgião acessa o tórax pela técnica mais adequada ao caso e executa o procedimento planejado, seja uma ressecção pulmonar, uma biópsia, o tratamento de um derrame ou outro procedimento específico.

Depois da cirurgia (pós-operatório): dependendo da complexidade do procedimento, pode ser necessário um período em unidade de terapia intensiva. O controle da dor, o monitoramento respiratório e o início precoce da fisioterapia respiratória fazem parte da recuperação.

Como é a recuperação após a cirurgia torácica?

O tempo de recuperação varia conforme o tipo de procedimento, a técnica utilizada e as condições clínicas de cada pessoa. Durante a internação, a equipe acompanha a função respiratória, o controle da dor e a retirada gradual de drenos, quando eles são necessários.

A MedlinePlus orienta que a pessoa seja estimulada a caminhar logo depois da cirurgia e a fazer exercícios de respiração profunda, o que ajuda a reexpandir o pulmão operado e a prevenir pneumonia. Depois da alta, o retorno às atividades é progressivo, e o médico orienta individualmente sobre restrições, exercícios permitidos e cuidados em casa.

Quando procurar um cirurgião torácico?

A avaliação com um cirurgião torácico é indicada quando exames de imagem mostram um nódulo ou uma lesão no pulmão, na pleura ou no mediastino, ou quando há pneumotórax, derrame pleural ou infecção torácica que o médico assistente considera cirúrgico. Falta de ar súbita ou dor forte no peito pedem atendimento de urgência.

Se você se reconhece em alguma dessas situações, procure o médico que acompanha o seu caso ou um cirurgião torácico para uma avaliação individual.

Perguntas frequentes sobre a cirurgia torácica

A cirurgia torácica tem riscos?

Sim. Como toda cirurgia, ela tem riscos, entre eles sangramento, infecção, escape prolongado de ar pelo pulmão e complicações da anestesia, segundo a MedlinePlus. O cirurgião discute os riscos de cada caso na avaliação pré-operatória.

Quanto tempo dura uma cirurgia torácica?

Depende do tipo e da complexidade do procedimento. Segundo a MedlinePlus, uma cirurgia pulmonar aberta pode levar de duas a seis horas, e procedimentos menores costumam ser mais curtos do que ressecções pulmonares maiores. O cirurgião esclarece a estimativa na avaliação pré-operatória.

A fisioterapia respiratória faz parte da recuperação?

Sim. Ela começa cedo e ajuda a recuperar a capacidade pulmonar e a prevenir complicações, como a pneumonia. O ritmo e os exercícios são orientados pela equipe, de acordo com o procedimento realizado.

Agende uma consulta para entender o seu caso

Se você recebeu a indicação de uma cirurgia torácica ou quer entender melhor o seu caso, agende uma consulta comigo para uma avaliação individual e uma conversa sobre as opções, os riscos e o que esperar de cada etapa.

Dr. Caio Augusto Sterse da Mata
MÉDICO · CRM-SP 124.698 · RQE 123726 (Cirurgia Torácica)

Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica.


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