Prevenção da hiperidrose: é possível evitar o suor excessivo?
Postado em: 18/03/2025
Suar é um processo natural do corpo para regular a temperatura. No entanto, a Hiperidrose provoca transpiração excessiva mesmo sem estímulos como calor ou esforço físico, afetando principalmente axilas, mãos, pés e rosto.

Embora a hiperidrose primária tenha origem genética e não possa ser evitada, algumas medidas costumam amenizar seus sintomas. Já a hiperidrose secundária, associada a alterações hormonais e doenças metabólicas, pode ser controlada ao tratar sua causa.
Neste artigo, vou explicar como reduzir os impactos da hiperidrose e adotar estratégias eficazes para controlar o suor excessivo no dia a dia.
O que é hiperidrose?
A hiperidrose é uma condição caracterizada pela produção excessiva de suor, mesmo na ausência de calor ou esforço físico. Afeta entre 1% e 5% da população e resulta da hiperatividade das glândulas sudoríparas.
As áreas mais afetadas são axilas, mãos, pés, rosto, couro cabeludo e virilha. Além do desconforto, uma sudorese intensa pode dificultar tarefas simples, como segurar objetos, e impactar a vida social e profissional. Pode favorecer também o surgimento de doenças de pele, como dermatite, foliculite e micose.
Buscar tratamento especializado é essencial para evitar que a hiperidrose comprometa a qualidade de vida.
O que causa a hiperidrose?
A hiperidrose pode ser classificada como primária ou secundária, conforme sua origem:
- Hiperidrose primária: costuma surgir na infância ou adolescência, sem uma causa específica, e geralmente tem influência genética. Afeta áreas localizadas, como mãos, pés e axilas, podendo ser agravada por estresse e ansiedade.
- Hiperidrose secundária: aparece na fase adulta e está relacionada a doenças ou ao uso de medicamentos. Diferentemente da primária, pode atingir várias partes do corpo ao mesmo tempo.
Principais causas da hiperidrose secundária:
- Distúrbios hormonais: menopausa e doenças da tireoide.
- Doenças metabólicas: diabetes e gota.
- Infecções: tuberculose e HIV.
- Transtornos psiquiátricos: ansiedade e depressão.
- Uso de medicamentos: antidepressivos e hipoglicemiantes.
- Doenças cardíacas e pulmonares.
- Câncer: linfomas, neoplasias ósseas ou hepáticas.
- Obesidade e alcoolismo crônico.
Sintomas de hiperidrose
Os principais sinais incluem:
- Sudorese intensa e persistente por mais de seis meses, ocorrendo pelo menos uma vez por semana.
- Dificuldade para realizar tarefas diárias devido ao excesso de suor.
- Suor noturno sem causa identificável.
- Mãos e pés constantemente úmidos e com aspecto pálido.
- Perda de peso associada à transpiração excessiva.
- Episódios de sudorese acompanhados de febre, desconforto no peito e falta de ar.
Caso apresente esses sintomas, é essencial consultar um cirurgião torácico para obter um diagnóstico preciso e a indicação do tratamento mais adequado.
Formas de prevenir a hiperidrose
Embora a hiperidrose de origem genética não possa ser evitada, algumas medidas ajudam a reduzir os fatores que contribuem para o suor excessivo. Manter um estilo de vida saudável é indicado para minimizar os sintomas e evitar agravantes.
Confira algumas estratégias:
- Adote uma alimentação equilibrada, evitando alimentos termogênicos, que aumentam a temperatura corporal.
- Pratique exercícios físicos regularmente para melhorar o metabolismo e reduzir o estresse.
- Modere o consumo de álcool e açúcar, pois pode influenciar na produção de suor.
- Evite drogas e automedicação, já que alguns medicamentos podem agravar a hiperidrose.
- Mantenha-se bem hidratado, beba bastante água ao longo do dia.
- Opte por roupas leves e tecidos respiráveis, que ajudam a manter a temperatura corporal estável.
- Cuide da pele, utilizando protetor solar e produtos adequados. Após o banho, seque bem o corpo para evitar umidade excessiva.
- Evite exposição prolongada ao sol, pois o calor intenso pode estimular ainda mais a transpiração.
Se você já sofre com hiperidrose, essas medidas podem ajudar no controle dos sintomas. No entanto, para casos mais graves, é necessário procurar tratamento especializado.
Tratamentos disponíveis para hiperidrose
O tratamento da hiperidrose varia conforme a gravidade do quadro e a região afetada. Existem abordagens conservadoras e opções definitivas para os casos mais severos.
As principais alternativas incluem:
- Antitranspirantes especiais: produtos à base de cloreto de alumínio ajudam a controlar o suor quando aplicados regularmente nas áreas afetadas.
- Mudanças no estilo de vida: evitar gatilhos como alimentos picantes, estresse e calor pode reduzir a sudorese excessiva.
- Medicamentos orais: em alguns casos, anticolinérgicos podem ser indicados para bloquear os estímulos das glândulas sudoríparas. Esses remédios podem gerar efeitos colaterais e devem ser usados sob orientação médica.
- Toxina botulínica: bloqueia temporariamente os sinais nervosos que estimulam a transpiração, sendo indicada para axilas, mãos e pés. Os efeitos duram entre 4 e 6 meses.
- Simpatectomia torácica endoscópica: para casos graves e resistentes a outros tratamentos, a cirurgia pode ser uma solução definitiva. O procedimento interrompe os nervos simpáticos responsáveis pelo suor excessivo, mas pode causar sudorese compensatória, ou seja, aumento da transpiração em outras áreas do corpo.
Quando procurar um especialista?
Se a hiperidrose está impactando sua rotina e interferindo no seu bem-estar, é fundamental buscar orientação médica. O diagnóstico correto e a escolha do tratamento adequado fazem toda a diferença na sua qualidade de vida. Agende uma consulta comigo e descubra a melhor solução para o seu caso.
Dr. Caio Sterse
Cirurgião Geral e Torácico
CRM-SP: 124698 | RQE: 123725 | 123726
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