Cirurgia torácica minimamente invasiva: prós e contras

Postado em: 10/11/2023

Atualizado em 8 de outubro de 2026. Por Dr. Caio Augusto Sterse da Mata · MÉDICO · CRM-SP 124.698 · RQE 123726 (Cirurgia Torácica)

Em resumo

A cirurgia torácica minimamente invasiva, feita por videotoracoscopia (VATS), opera o tórax por pequenas incisões e uma câmera. A MedlinePlus descreve menos dor e recuperação mais rápida do que na cirurgia aberta, mas a técnica tem riscos e nem sempre é possível. A indicação é individual e definida na consulta.

Neste artigo

Quem ouve que precisará operar o tórax costuma perguntar logo se existe uma forma de fazer isso com cortes menores. Existe, e ela tem nome: cirurgia minimamente invasiva, ou videotoracoscopia. Mas menor incisão não significa ausência de riscos, e nem todo paciente pode ser operado assim.

Este artigo explica como a técnica funciona, quais benefícios e riscos a MedlinePlus descreve e em que situações ela pode não ser indicada. Para ver como a técnica se encaixa na atuação do cirurgião, acesse a página sobre cirurgia torácica.

O que é a cirurgia torácica minimamente invasiva?

É uma abordagem em que o cirurgião opera o tórax por incisões pequenas, nas quais entram uma câmera e instrumentos longos e finos. Isso a diferencia da cirurgia aberta, na qual é feito um corte maior entre as costelas para acessar o órgão.

Essa forma de operar exige treinamento específico em cirurgia por vídeo e equipamentos adequados. A técnica é uma opção entre outras, e a decisão sobre qual usar nasce da avaliação clínica e dos exames, nunca da preferência por um método em si.

Como a operação é feita por videotoracoscopia?

Na videotoracoscopia, também chamada de VATS, a sigla em inglês para cirurgia torácica videoassistida, o cirurgião faz alguns cortes pequenos na parede do tórax. Segundo a MedlinePlus, biblioteca de saúde da Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos, um videoscópio, que é um tubo com uma câmera minúscula na ponta, e outros instrumentos pequenos passam por essas incisões. A imagem aparece em um monitor e orienta todo o procedimento.

A operação é feita sob anestesia geral. Detalhes de cada procedimento, como o que é retirado e quanto tempo dura, variam conforme a doença tratada. A página sobre videotoracoscopia reúne informações sobre o procedimento.

Quais são os benefícios possíveis?

Os benefícios descritos para a técnica dependem do caso e variam de um paciente para outro. A MedlinePlus afirma que a cirurgia por vídeo leva a menos dor e a uma recuperação mais rápida do que a cirurgia pulmonar aberta, e que a internação costuma ser mais curta.

Na prática, o que se busca com as incisões menores é:

  • menor agressão à parede do tórax, que é uma região muito sensível à dor;
  • mobilização mais precoce depois da operação, o que ajuda na respiração e na prevenção de complicações;
  • cicatrizes menores, um aspecto que importa para muitos pacientes;
  • internação que costuma ser mais curta, conforme a MedlinePlus.

Esses benefícios são descritos de modo geral, e o resultado individual pode ser diferente. Por isso, a conversa sobre expectativas deve ser feita com o cirurgião, olhando o seu caso.

Quais são os riscos?

Toda operação no tórax tem riscos, qualquer que seja a técnica. A MedlinePlus lista, entre os riscos da cirurgia pulmonar: falha de expansão do pulmão, lesão de pulmões ou vasos sanguíneos, necessidade de dreno no tórax após a operação, dor, vazamento de ar prolongado, acúmulo repetido de líquido na cavidade do tórax, sangramento, infecção, alterações do ritmo do coração e lesão do diafragma, do esôfago ou da traqueia.

A lista é geral e a chance de cada evento muda com a doença, a idade e o estado de saúde do paciente. Quem fuma, por exemplo, tem mais risco de complicações, tema tratado no texto sobre cirurgia torácica e tabagismo. O artigo sobre riscos das cirurgias torácicas aprofunda o assunto.

A técnica serve para todos os casos?

Não. A MedlinePlus informa que, em alguns casos, a cirurgia por vídeo pode não ser possível e o cirurgião precisa passar para a cirurgia aberta durante a operação. A escolha da via de acesso depende da doença, da localização da lesão e das condições clínicas de cada paciente, e é definida pelo cirurgião antes e durante o procedimento.

A mesma página da MedlinePlus apresenta a cirurgia por vídeo e a aberta como duas formas de acesso ao pulmão, cada uma com seu papel. Conhecer essa possibilidade antes da operação evita surpresas, e a decisão final cabe ao cirurgião, com base nos exames. Para comparar as técnicas, leia sobre as diferentes técnicas cirúrgicas.

Para quais doenças a videotoracoscopia é usada?

A videotoracoscopia é uma via de acesso, e não uma doença ou um tratamento em si. Ela pode ser empregada em procedimentos como biópsias de pulmão, pleura e mediastino, tratamento de derrames pleurais, retirada de nódulos e tumores, lobectomia e timectomia, conforme a indicação. A simpatectomia, usada em casos selecionados de hiperidrose, também é feita por vídeo.

Quando a suspeita é de tumor no pulmão, a escolha da técnica considera o estadiamento e a extensão da doença. A página sobre câncer de pulmão explica como é a investigação.

Como é a recuperação no hospital?

A MedlinePlus descreve que, depois da cirurgia pulmonar, o paciente é orientado a sentar na beira da cama e caminhar o quanto antes, além de fazer respiração profunda para ajudar a prevenir pneumonia e infecção. Os drenos do tórax ficam até o pulmão expandir por completo. Segundo a mesma fonte, a internação costuma ser mais curta na cirurgia por vídeo do que os 5 a 7 dias descritos para a toracotomia aberta.

Em casa, o cuidado segue as orientações da equipe sobre dor, curativos, atividades e retorno ao trabalho. O preparo antes da operação também pesa no resultado, e o texto sobre como se preparar para cirurgias torácicas traz orientações gerais.

Quando procurar o médico depois da cirurgia?

Procure a equipe se surgirem febre, dor que piora em vez de diminuir, falta de ar, vermelhidão ou secreção nas incisões. Esses sinais podem indicar infecção ou outra complicação e precisam de avaliação. Falta de ar intensa, dor forte no peito ou sangramento exigem ir imediatamente a um serviço de emergência.

Guarde o contato da equipe e anote dúvidas ao longo da recuperação. Perguntar cedo costuma resolver mais do que esperar o problema crescer.

Perguntas frequentes sobre a cirurgia minimamente invasiva

A cirurgia minimamente invasiva deixa cicatrizes?

Sim, toda incisão deixa cicatriz. Na técnica por vídeo as incisões são menores, mas o aspecto final depende da cicatrização de cada pessoa e dos cuidados no pós-operatório.

Posso escolher entre a cirurgia aberta e a minimamente invasiva?

A escolha é uma decisão compartilhada, baseada na doença, nos exames e nas condições clínicas de cada paciente. Se a via por vídeo for possível, o cirurgião explica as vantagens e os limites. Se não for, explica por quê.

Existe chance de a operação virar cirurgia aberta?

Existe. A MedlinePlus informa que, em alguns casos, a cirurgia por vídeo não é possível e o cirurgião precisa passar para a aberta durante a operação. Essa possibilidade deve ser conversada antes do procedimento.

Agende uma consulta para avaliar a sua indicação

Se você recebeu a indicação de uma operação no tórax e quer entender se a via minimamente invasiva é possível no seu caso, agende uma consulta comigo. Traga seus exames e suas dúvidas, e conversamos sobre as opções, os benefícios possíveis e os riscos de cada uma.

Dr. Caio Augusto Sterse da Mata
MÉDICO · CRM-SP 124.698 · RQE 123726 (Cirurgia Torácica)

Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica.


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